Perante Obsidiados
Prezados Irmãos da Jornada Espírita.
Eminentes Provedores do Bem.
Searistas do Sagrado Amor.
Jesus, disse: Orai e Vigiai.
Allan Kardec, adicionou: Orai, Vigiai e Estudai.
Ramatis, completou: Orai, Vigiai, Estudai e Praticai.
Perante os obsidiados
Sempre que há obsessão convém analisar em profundidade a questão da perfeita sintonia que mantém o obsidiado com a entidade obsidente.
Todo problema obsessivo procede sempre da necessidade de ambos os espíritos em luta aflitiva, vítima e algoz, criarem condições de superação das próprias inferioridades para mudar de clima psíquico, transferindo-se emocionalmente para outras faixas do pensamento.
O obsessor não é somente o instrumento da justiça superior que dele se utiliza, mas também espírito profundamente enfermo e infeliz, carecente da terapêutica do amor e do esclarecimento para sublimação de si mesmo.
O obsidiado, por sua vez, vinculado vigorosamente à retaguarda — assaltado, quase sempre, pelos fantasmas do remorso inconsciente ou do medo cristalizado, a se manifestarem como complexos de inferioridade e culpa - conduz o fardo das dívidas para necessário reajustamento, através do abençoado roteiro carnal.
Quando jungido à expiação inadiável, por acentuada rebeldia em muitos avatares, renasce sob o estigma da emoção torturada, apresentando desde o berço os traços profundos das ligações com os comensais que se lhe imantam em intercâmbio fluídico de consequências imprevisíveis.
Atendido, porém, desde o ventre materno com medicação salutar, traz no perispírito as condições próprias à «hospedagem», na ocasião oportuna, que se encarrega de disciplinar o verdugo não esquecido pela vida.
Outras vezes, se durante longa jornada física não reparou o carma por meio de ações edificantes, não raro é surpreendido na ancianidade pela presença incômoda daqueles a quem prejudicou, experimentando enfermidades complicadas, difíceis de serem identificadas, ou distúrbios psíquicos que se alongarão mesmo após o decesso orgânico.
Em qualquer hipótese, no entanto, acenda a luz do conhecimento espiritual na mente que esteja em turvação, nesse íntimo conturbado.
Nem piedade inoperante.
Nem palavrório sem a tônica do amor.
A terapia espírita, em casos que tais, é a do convite ao enfermo para a responsabilidade, conclamando-o a uma auto-análise honesta, de modo a que ele possa romper em definitivo com as imperfeições, reformulando propósitos de saúde moral e mergulhando nos rios claros da meditação para prosseguir revigorado, senda a fora... Diante de um programa de melhoria íntima desatam-se os liames da vinculação entre os dois espíritos — o encarnado e o desencarnado, e o perturbador, percebendo tão sincero esforço, se toca, deixando-se permear pelas vibrações emanadas da sua vítima, agora pensando em nova esfera mental.
Só excepcionalmente não se sensibilizam os sicários da mente melhorada. Nesse caso, a palavra esclarecedora do evangelizador nos serviços especializados da desobsessão, os círculos de prece, os agrupamentos da caridade fraternal, sob carinhosa e sábia administração de Instrutores Abnegados, se encarregam de consolidar ou libertar em definitivo os que antes se batiam nas liças do duelo psíquico, ou físico quando a constrição obsidente é dirigida à organização somática.
Quando se observam os sinais externos dessa anomalia, já se encontra instalada a afecção dolorosa.
Assim considerando, use sempre a Doutrina Espírita como medida profilática, mesmo porque, se até hoje não foi afetada a sua organização fisiopsíquica, isto não isenta de, no futuro — tendo em vista que, aprendendo e refazendo lições como é do programa da reencarnação para nós todos —, o seu «ontem» poder repontar rigoroso, «hoje» ou «amanhã», chamando-o ao ajuste de contas com a consciência cósmica que nos dirige.
Perante obsidiados aplique a paciência e a compreensão, a caridade da boa palavra e do passe, o gesto de simpatia e cordialidade; todavia, a pretexto de bondade não concorde com o erro a que ele se afervora, nem com a preguiça mental em que se compraz ou mesmo com a rebeldia constante em que se encarcera. Ajude-o quanto possa; no entanto, insista para que ele se ajude, contribuindo para com a ascensão do seu próprio espírito auxiliar aquele outro ser que, ligado a ele por imposição da justiça divina, tem imperiosa necessidade de evoluir também.